“Você
resolveu me deixar, seguir teu próprio caminho, um caminho diferente do
meu. E eu apenas vi você se afastar, apenas vi você ir embora. Fiquei
parado, perplexo, inerte. Não te disse “adeus” e nem poderia. Ainda
existe muito de você aqui dentro. E para onde quer que eu olhe, por onde
quer que eu ande, só encontro vestígios de você. Engano meu achar que
seria diferente. Burrice minha acreditar novamente. Eu já deveria estar
acostumado, as pessoas sempre se vão, sempre. Hoje, conformo-me com o
acontecido. Hoje, consigo distinguir os sentimentos, as ações e os
feitos. Hoje, consigo olhar para alguém e reparar o seu verdadeiro eu.
Me conformo com o acontecido, mas não por inteiro… Fico imaginando o
motivo do feito, o motivo do acontecido, e os motivos são os mesmos. Eu,
eu e eu. Será que não dei amor suficiente? Será que meu beijo perdeu a
doçura? Será que o meu abraço perdeu o calor? Será que o meu aconchego
perdeu a proteção? Será? Será?
Chego a inúmeras perguntas, e todas
são referentes à mim. Você sempre será a vítima em meus olhos. Mas isso
sempre me mata, isso sempre me destrói. Resolvi dar uma chance à mim, e
ver-te pelo lado do vilão. Resolvi dar-me o gostinho de estar no quarto
mais alto, da torre mais alta, com um dragão de guardião. Resolvi olhar
para o acontecido, e veja só… Quem perdeu foi você, perdeu. Não ganhou
nada com isso. Apenas perdeu. Lamento, pois quando quiseres-me de novo,
de ti, se conseguir, já terei esquecido.”
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