quarta-feira, 19 de junho de 2013
Deus, estou triste. Diversas vezes pensei em parar pra gente conversar,
mas olha que irresponsabilidade a minha. Atropelo meu próprio tempo e
não consigo cessar para desabar a quem realmente está completamente afim
de me entender. Estou cansada e talvez te dizer isso seja muito egoísmo
da minha parte. Imagino quantas orações de corações aflitos você deve
arquivar por segundos e sei que o meu não é o caso mais grave aos olhos
humanos. Mas ao Teus olhos Deus, imagino que não há primazias. Você é
perfeito e não se atrapalha tanto quanto eu. O Senhor é especialista em
dores, lágrimas, tristezas — o maior perito em corações humanos. E hoje,
sou só sua criança pedindo colo. A impressão é de que faço tudo errado e
afundada nesse mar de drama tudo passa a não fazer sentido. Não sei ser
a melhor amiga para os meus amigos, a melhor filha que meus pais
gostariam que eu fosse, talvez nem a melhor aluna da faculdade.
Decepciono as pessoas que amo com a maior facilidade do mundo. Perco
amores, perco estações, perco a hora para ir trabalhar. Não sei cuidar
das flores na primavera, elas sempre murcham. No inverno, não me aqueço o
suficiente. Passam os dias e no verão, nem eu mesma me suporto nesse
mormaço. As folhas do outono sempre secam. Chego em casa afadigada,
desabotôo os botões da camisa, respiro e nessa confusão de pensamentos,
cogito que não há mais razões para um próximo amanhecer. E todas as
novas manhãs você insiste em dizer que vale a pena. Deus, posso fazer um
pedido? Cuida de mim? Cuida do meu coração também. Não me deixe sorrir
por fora e desmoronar por dentro. Compreendo que eu sou desorganizada e
desordenada, mas eu preciso tanto de você. Me deixa desabar no teu colo,
quietinha.
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